Diversos setores produtivos brasileiros manifestaram preocupação nesta sexta-feira após o governo dos Estados Unidos anunciar a imposição de uma tarifa de 50% sobre a importação de produtos brasileiros.
Associação Brasileira da Indústria de Café se posiciona
A Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC) divulgou nota demonstrando sua preocupação em relação à medida adotada pelo governo norte-americano. Segundo a entidade, “a medida, comunicada de forma unilateral, representa um grave retrocesso nas relações comerciais entre os dois países que pode gerar impactos extremamente negativos e relevantes para toda a cadeia produtiva do café”.
A ABIC também defendeu a necessidade de um diálogo técnico e institucional para que o Brasil mantenha sua posição de destaque no comércio internacional do café.
Apex Brasil critica decisão
O presidente da Apex Brasil, Jorge Viana, classificou a decisão como um retrocesso nas relações comerciais e reforçou que questões políticas foram misturadas a argumentos comerciais considerados inconsistentes. Viana enfatizou a importância da separação entre política e comércio internacional, lamentando a situação criada com um dos principais parceiros comerciais do Brasil.
Governo acompanha desdobramentos
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou que acompanha atentamente os efeitos da nova política tarifária, especialmente sobre cargas destinadas aos Estados Unidos. Ele garantiu que, apesar de alguns problemas pontuais em terminais com maior volume de exportação, o fluxo portuário não foi prejudicado em sua eficiência global.
Costa Filho destacou ainda a confiança no diálogo entre os dois países para encontrar um entendimento em relação às tarifas de exportação. Segundo ele, o governo trabalha desde 2023 na abertura de novos mercados para os produtos brasileiros.
O ministro também expressou preocupação quanto ao impacto das tarifas na exportação de produtos do setor aéreo, como aviões e peças para aeronaves, assegurando que novas soluções estão sendo buscadas para minimizar prejuízos, especialmente a companhias como a Embraer.
Setor de frutas ressalta preocupações
A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) também se pronunciou, sinalizando apreensão com o aumento das tarifas. O setor movimentou US$ 148 milhões em negócios com os EUA em 2024, número que, segundo a associação, tinha uma tendência de crescimento para 2025.
As entidades e o governo reiteram a importância do diálogo com os Estados Unidos para evitar prejuízos à economia nacional e garantir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.