O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciaram que o Brasil regressou à lista dos 20 países com maior número de crianças não vacinadas, segundo dados de 2024. No levantamento anterior, o Brasil havia deixado essa lista ao registrar 103 mil crianças sem imunização. No entanto, o número saltou em 2024 para 229 mil crianças, representando 16,8% do total de crianças não vacinadas na América Latina e Caribe.
Este dado refere-se a crianças que não receberam a primeira dose da vacina tríplice bacteriana (DTP), que protege contra difteria, tétano e coqueluche. A ausência desta vacina aponta para fragilidades no acesso à vacinação de rotina e pode indicar que a criança não recebeu nenhum outro imunizante.
- Na América Latina, o México lidera o ranking com cerca de 341 mil crianças não vacinadas.
- O Brasil ocupa a 17ª posição global, logo atrás de Myanmar, Costa do Marfim e Camarões.
Apesar do retorno ao ranking, houve progresso: em relação a 2023, ao menos 171 mil crianças adicionais receberam uma dose da DTP e mais de um milhão completaram o esquema vacinal. Mesmo assim, globalmente, 20 milhões de crianças seguem sem as doses necessárias, sendo 14,3 milhões sem nenhuma dose de qualquer vacina.
Segundo Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, a combinação de cortes em ajuda humanitária e desinformação sobre vacinas ameaça décadas de avanço na imunização infantil. O compromisso atual da OMS é apoiar países para encontrar soluções locais, promovendo investimentos e acesso ao imunizante.
No ranking mundial, a Nigéria segue como país com mais crianças não vacinadas (2,1 milhões), seguida por Índia (909 mil) e Sudão (838 mil).