A partir de setembro, o Japão passará a permitir que caçadores abatam a tiros ursos e outros animais selvagens que se aproximarem de áreas urbanas. A medida foi anunciada pelo Ministério do Meio Ambiente diante do aumento de incidentes envolvendo animais, inclusive com registros de ataques fatais.
De acordo com as diretrizes, o abate só poderá ser realizado quando não houver alternativa para capturar o animal, como o uso de armadilhas, e desde que fique garantida a segurança da população. Os protocolos preveem evacuação de moradores, controle do tráfego e a exigência de uma barreira sólida atrás do animal, para impedir que projéteis atinjam pessoas. Toda ação letal necessita de autorização do governo local.
O motivo para a elevação dos riscos é a combinação entre a crise climática, que está alterando hábitos e fontes de alimento da fauna, e o despovoamento em regiões rurais devido ao envelhecimento da população japonesa. Com menos pessoas nas cidades do interior, os ursos se sentem cada vez mais à vontade e têm invadido áreas urbanas.
Crescimento nos ataques e avistamentos
O número de ataques de ursos ao ser humano disparou nos últimos anos. Só no período de 12 meses encerrado em março, foram 85 pessoas feridas por animais, com três mortes confirmadas. No ano anterior, o número foi ainda mais alto: 219 ataques e seis vítimas fatais.
Casos recentes ganharam repercussão na mídia japonesa, como o de uma senhora de 81 anos que foi morta por um urso na província de Iwate e do urso pardo que invadiu o aeroporto de Yamagata, obrigando o cancelamento de voos. O retrato da situação não é inédito: em 2021, um urso já havia causado pânico ao atacar pessoas em Sapporo, Hokkaido, inclusive um soldado de uma base militar.
População de ursos em expansão
Segundo estimativas oficiais, a quantidade de ursos negros no Japão subiu de 15 mil em 2012 para 44 mil em 2023. Somente em Hokkaido, há cerca de 12 mil ursos pardos, número que dobrou desde 1990. O aumento populacional, somado à busca por alimento em meio à escassez, leva os animais a se aproximarem cada vez mais das cidades, gerando preocupação e necessidade de controle rígido.